COMO
FUNCIONA UM RASTREADOR E TIPOS DIFERENTES EXISTENTES_
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RASTREADORES
E BLOQUEADORES "VIA SATÉLITE"
SERÁ QUE TODOS SÃO?
Nem sempre... Saiba porquê:
Comumente nos deparamos com anúncios nas televisões,
rádios, jornais e revistas sobre os mais diversos sistemas de
segurança veicular. As propagandas veiculadas por diversas empresas,
enfatizando o termo “VIA SATÉLITE”, nem sempre refletem
a realidade, ou seja, a comunicação direta entre o veículo
e o satélite e vice-versa. Esse termo, em grande parte, camufla
o real funcionamento do sistema, levando muitos consumidores ao engano!
Para esclarecer um pouco sobre os sistemas, é importante conhecer
o principio de funcionamento de cada um.
Primeiro, vamos definir o que é GPS:
Trata-se de um sistema de navegação via satélite.
GPS é a sigla de Global Positioning System. São satélites
que estão em órbita ao redor da terra, através
de uma rede, em formação precisa, numa altitude aproximada
21.000 Km. Transmitem informações de tempo e distância
continuamente. A freqüência que o receptor de GPS opera é de
1.575 Mhz. Receptores de satélite de navegação,
que comumente conhecemos como GPS, usam estas informações
para calcular uma localização exata por triangulação.
Como sabemos, todo ponto na Terra é identificado por dois conjuntos
de números chamados coordenadas. Estas coordenadas representam
o ponto exato onde uma linha horizontal conhecida como latitude, cruza
uma linha vertical conhecida como longitude. O receptor de GPS localiza
pelo menos três satélites e usa as informações
recebidas para determinar as coordenadas Geográficas no receptor
de GPS.
Comparando o tempo em que os sinais foram transmitidos dos satélites
e o tempo que eles foram registrados, o receptor de GPS calcula a distância
de cada satélite, sendo no mínimo computado a distância
de três ou mais satélites, que resultará na sua
posição na superfície da terra. Com estas distancias
medidas, o receptor também poderá calcular velocidade
e poderá calcular o tempo de viagem, distância, altitude,
dentre outros feitos.
O receptor de GPS pode exibir sua posição nos
seguintes formatos:
- Latitude e Longitude,
- UTM – Universal Transverse Mercator
- MG – Military Grid
- ou simplesmente, como um ponto em um mapa eletrônico. Muitos
receptores de GPS interagem com dados de cartografia internos (programados)
e faz da navegação por satélite uma ferramenta
fácil.
Linha de visada dos satélites de GPS:
Isto significa que três satélites, no mínimo, devem
estar no campo de visão do receptor de GPS (que ele possa “enxergar”)
para o correto calculo da latitude e longitude da localidade. Um quarto
satélite também deve estar dentro de linha de visada,
para que seja possível calcular a altitude. Em média,
oito satélites estão continuamente na linha de visada,
em qualquer posição na Terra. Quanto mais satélites
forem enxergados, mais preciso será o posicionamento! É importante
ressaltar que, embora os sinais emitidos pelos satélites de
navegação atravessem nuvens, vidro, plástico e
outros materiais de baixa densidade (leves), os receptores de GPS não
trabalharão ocultos (sem linha de visada) ou debaixo d'água.
Precisão:
A precisão de um receptor de GPS, em média, é de
15 metros. De acordo com a sofisticação do receptor de
GPS, empregam-se várias tecnologias para aumentar a precisão
do receptor. Um modelo profissional, sofisticado, pode ter a precisão
de 3 metros ou melhor, sendo obtido através do uso de sinais
de correção de satélites de navegação.
Nos Estados Unidos, é admitida uma precisão de 3 metros,
através de correções obtidas em pontos fixos,
conhecidos como WAAS (Sistema de Aumento da Área de Abrangência).
Na Europa, um sistema semelhante provê a mesma precisão
denominado EGNOS. Na Ásia, o sistema de correção é provido
pela MSAS. Outras metodologias para aumentar a precisão da navegação
em satélites de GPS, incluem o uso de DGP; estações
de revezamento de solo, fixadas em posições conhecidas,
que transmitem sinais de navegação de satélites
já corrigidos. Vários métodos e aplicações
de DGPS podem aumentar a precisão da navegação
através de GPS, de alguns metros para alguns milímetros.
Usando DGPS é necessária a utilização de
equipamentos sofisticados. Outro sistema de precisão é o
RTK. Este é um receptor capaz de transmitir um sinal com fase-corrigida,
de uma posição conhecida, para um ou mais receptores.
Vários erros de posicionamento podem acontecer e podem limitar
precisão para a faixa de 15 a 25 metros.
Portanto, quando alguém lhe oferecer um rastreador ou bloqueador
via satélite, pode ser que o termo “via satélite” refira-se
ao sistema de posicionamento através do GPS. Em alguns casos,
não existe nenhuma atuação de sistemas satelitais.
Fique atento!
Na prática, o que importa nos sistemas de rastreamento e bloqueio, é a
efetiva ação, em tempo real, que a empresa prestadora
de serviços poderá ter sobre o veículo, que nem
sempre é via satélite. Só o sistema de GPS não
garante a eficácia do sistema! Portanto, concluímos que:
1- Há sistemas que a atuação e interação
no veículo é via satélite, integralmente, desde
o posicionamento via GPS até a atuação sobre o
veículo.
2- Há sistemas que utilizam somente o satélite de GPS
para a obtenção das coordenadas geográficas, mas
a atuação sobre o veículo se dá por outras
tecnologias.
3- Há sistemas que não utilizam nenhum tipo de satélite.
Confuso? Vamos esclarecer um pouco mais descrevendo o que é bloqueador
e rastreador:
BLOQUEADOR > PAGER: Em geral são sistemas eletrônicos “wireless” que
possibilitam bloquear o veículo à distância, utilizando-se
para a comunicação e atuação, os conhecidos “pagers”.
A cobertura desse sistema está restrita a área de atuação
dos pagers. Trata-se do sistema mais simples, pois não tem como
enviar as informações de localização do
veículo. Somente consegue receber, pois os pagers são “one-way”.
Portanto, esse sistema NÃO É VIA SATÉLITE. Facilmente
você se deparará com propagandas deste tipo de produto,
dizendo ser “via satélite”. Trata-se de propaganda
inverídica, pois o sistema opera através de radiofreqüências
alocadas aos pagers.
BLOQUEADOR > FM: Este sistema é barato e eficiente para o
bloqueio, pois utiliza a sub-portadora de FM, a mesma utilizada para
a sintonia do radio nos veículos. Neste sistema, as antenas
de FM das emissoras contratadas pelo operador, enviam os sinais para
o bloqueio do veículo, mediante solicitação à central
da empresa operadora do sistema. A operadora poderá ter parcerias
com diversas emissoras de rádio e distribuir o seu sinal de
bloqueio para qualquer região onde haja uma emissora de FM. É um
sistema simples “one-way” e não há como enviar
informações do veículo sobre a sua localização.
RASTREADOR > CELULAR + GPS: Este tipo de rastreador agrega
duas tecnologias, GPS e Celular. O GPS, conforme já descrito, é utilizado
para a obtenção das coordenadas geográficas. A
tecnologia do telefone celular, atua na recepção e transmissão
de dados. Desta forma, através de um módulo eletrônico
instalado no veículo, haverá o processamento das informações
de coordenadas recebidas pelo GPS e será transmitida pelo celular,
numa via “two-way”, podendo ocorrer a interação
nos dois sentidos. Este sistema permite o rastreamento com boa precisão,
porém fica restrito a área de cobertura das estações
radio base das operadoras de celular, além de ter o seu funcionamento
comprometido em ambientes fechados, pois não haverá o
sinal do GPs (para efeito de coordenadas) e não será possível
transmitir as informações pelo celular. Apesar do sistema
utilizar-se de satélites de GPS e Celular, as propagandas não
deixam isso muito claro, o que poderá induzir o consumidor a
erro dependendo da forma em que for exposta, pois muitos acreditam
que o funcionamento é 100% via satélite!
RASTREADOR > “CELULAR VIA SATÉLITE” +
GPS: Funcionamento
similar ao anterior, porém utiliza o serviço do celular
via satélite, que em geral é utilizado em regiões
distantes, onde não há ERBs da telefonia celular convencional.
Muito utilizado em regiões remotas. Não tem restrição
de cobertura, visto a boa performance do celular via satélite. É um
sistema eficiente mas caro.
RASTREADOR> SATÉLITE GEOSTACIONÁRIO
+ GPS: É o
genuíno sistema via satélite. Obtém as informações
de coordenadas, via GPS e transmite e recebe sinais, de forma bidirecional,
através de satélites geoestacionários ou de baixa órbita.
Basicamente, no Brasil, temos duas tecnologias disponíveis e
efetivamente eficientes. Uma opera no satélite Brasilsat, que é um
satélite Geoestacionário, cuja órbita está em
38.000 Km de altitude. Trata-se do mesmo satélite que é utilizado
para os sinais de televisão. Este sistema proporciona a transmissão
e recepção de dados, inclusive, permitindo ao motorista
enviar textos para a sua central, informando ocorrências, rotas,
solicitações de apoio e tudo mais que for necessário
de ser comunicado. A cobertura está restrita a área de
pegada (footprint) do satélite.
RASTREADOR> SATÉLITE DE BAIXA ÓRBITA
+ GPS: Tecnologia
via satélite, que também utiliza o GPS para a obtenção
das coordenadas geográficas, conforme descrito. Os sinais são
transmitidos e recebidos através de satélites da baixa órbita,
denominados de LEO (Low Earth Orbit). Esses satélites proporcionam
toda a interação sobre o veículo e do veículo
para a central, inclusive, permitindo ao motorista, enviar textos para
a sua central, informando ocorrências, rotas, solicitações
de apoio e tudo mais que for necessário de ser comunicado.
A constelação é formada por 42 satélites
de baixa órbita, controlados pelo centro de controle da Orbcomm®.
Existem 4 planos orbitais principais, denominados de A, B, C e D, cada
um com 8 satélites, separados uniformemente entre si, dentro
da órbita. Três dos planos principais, tem inclinação
de 45° em referencia a linha do equador e uma separação
angular de 120° entre eles e um quarto plano equatorial, com inclinação
de 0°. Quatro satélites adicionais em um dos planos suplementares,
denominados F e G, com inclinação de 70° e 80° respectivamente,
são utilizados para cobrir zonas de alta latitude. Esses satélites
estão cerca de 830 Km de altitude, por isso é denominado
de baixa órbita. Já os satélites equatoriais,
estão um pouco mais altos, a 975 Km de altitude.Os sinais são
transmitidos para os satélites na faixa de 148 a 150 Mhz e recebidos
pelo receptor entre 137 a 138 Mhz.
RASTREADOR> CELULAR ATRAVÉS DE ESTAÇÃO
RADIO BASE (ERB): Este sistema baseia-se na estrutura existente das
empresas de telefonia celular. Tais empresas distribuem pela cidade,
antenas
com rádios transmissores para o funcionamento dos celulares,
que são conhecidas como ERB. O posicionamento do veículo
não é preciso, porém a velocidade de comunicação é alta
e pode-se fazer uma ampla comunicação de dados, obviamente,
dentro da região de cobertura das antenas celulares.
RASTREADOR POR TRIANGULAÇÃO: Esse
sistema utiliza antenas estrategicamente distribuídas pela cidade, onde é possível,
pelo processo de triangulação, determinar o ponto onde
o veículo está localizado, A precisão dependerá da
disposição das antenas. Saindo do perímetro de
abrangência das antenas, o sistema não funcionará.
CONSIDERAÇÕES: Há inúmeras outras aplicações
para os sistemas de rastreamento, como por exemplo: logística
de caminhões, barcos, balsas, aeronaves, máquinas agrícolas,
transporte publico, containers de carga, controle de frotas, monitoramento
de redes elétricas, outras. Há vários integradores
dos diversos sistemas citados.
NOTA IMPORTANTE: Esta página é meramente informativa
e visa esclarecer duvidas freqüentes de consumidores, que nem
sempre possuem o conhecimento técnico para discernir os sistemas
ofertados pela mídia. Não há como assegurar a
eficácia de qualquer sistema citado. A escolha de um sistema
de bloqueio e rastreamento é de livre arbítrio de cada
consumidor.
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